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Literatura

Uma gota de LSD em uma praia deserta (parte 2)

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Caro leitor(a), caso não tenha conhecimento da primeira parte deste delírio, clique aqui.
A prosseguir meu relato, recordando no tempo nossa anedota, lembro que havia parado no instante em que o cão caminhava até mim.
Seus olhos fixos me fitavam com certa calmaria misteriosa, os passos lentos, em volta um espetáculo belíssimo da natureza, eloquente e radiante, de cores fortes regadas de vida, que pulsavam constantemente.
A besta aproximou-se. Ainda quieta, ofereceu a cabeça como que clamando por um conforto, carente e sozinho em meio a quietude da praia paradisíaca; um monstro forte e enorme, mas carente. Que trama!
Comecei a acariciá-lo de forma empolgada, contente pelo momento, a flor da pele e no auge de minhas alucinações. Se não recorda, há pouco, estava eu cheirando cores; e agora, acariciava um cão inexistente.
O que é o delírio! Senti de repente uma dor terrível na cabeça, me obrigando a levar ambas as mãos ao rosto, buscando conter a dor com os olhos fechados (neste momento avistei luzes pulsantes em meio ao vazio da escuridão. Algo como a esperança no mar dos desgostos.).
A confusão amenizou-se em segundos. Era apenas o prelúdio. Abri os olhos e uma das mãos buscou a cabeça do cão; que não estava mais lá. Apenas sorri, encantado pelo efeito da gota.
Iria agora continuar minha empreitada! Iria cheirar o azul, o mar! Como? Não sabia.
Corri de encontro ao oceano ignorando o primeiro contato gélido, trazendo em mãos minúsculas partes de sua imensidão; aproximei o nariz e me frustrei terrivelmente. Não senti nada. Havia perdido o poder de dialogar com as cores.
Já sem esperanças, quanto menos expectativas, caminhei de volta à areia. Sentei, acendi um novo haxixe, bebi um pouco da água que trazia e fitei o horizonte. Este havia perdido sua característica anil, estava agora roxo e vibrante, animado. Pelos meus olhos ele também se embaraçava em suas poucas nuvens, transformando-se em cenas belíssimas, de exatidão imensurável; ora corpos em contato ora animais famintos. Uma alucinação que eu daria de tudo para ter novamente.
Quando pensava no gigantesco espaço do universo, a sereia retomou a cena; surgiu agora na beira do mar, ligeiramente deitada e encalhada, mas risonha, fitando-me nos olhos.
“Por que tão sozinho?” Ela questionou.
“É para espantar as frustrações.”
A soberana dos oceanos sorriu, chamando-me até ela. Em passos precavidos me agachei próximo, acariciando sua face, recolhendo os cabelos louros para trás da orelha, roubando-lhe um sorriso, tão esplêndido e radiante quanto o brilho do raiar de um novo dia. A maça que formou-se em seu rosto explodiu em mim um estalo de alucinações históricas. As cores ao redor antes já pulsantes agora embaralhavam-se. Tudo ficou fortemente roxo, com traços vermelhos e pitadas amarelas. Não enxergava nada além do espetáculo das cores.
Passei a girar enlouquecido, assim como encantado, até cair na areia; e devido ao conforto do contato e a preguiça dos sentidos deixei a cabeça repousar, fitando o horizonte que julguei ser do céu em contato com o oceano. Em segundos, fileiras e mais fileiras de nove olhos (como será que se chama um grupo de olhos?) passaram a vencer o céu com luzes radiantes que de seus olhares emanavam cortando todas demais luzes psicodélicas.

Georgia N - Uma gota de LSD em uma praia deserta (parte 2)

O ambiente ganhou luzes inéditas, com certo brilho delicado e resplandecente. Poucos animais abandonaram suas tocas, alguns barulhentos, outros silenciosos; e a grande maioria duvidosa.

A corrida dos olhos se encerrou após cumprir sua função, abrindo espaço a pensamentos suaves; parecia (apenas parecia) que os efeitos estavam passando.
Pus-me de pé e passei a caminhar. Em alguns momentos até mesmo corria, ainda a flor da pele e com os sentidos aguçados, feliz, mais contente que o diabo quando ganhou seu reino.
Acendi o terceiro haxixe. Logo no primeiro trago fui surpreendido pelo efeito daquele gole, que trouxe de volta amigos passados, aqui já mencionados. Jack. Ou melhor, Capitão Jack Sparrow.

(continua…)

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