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Entrevistas e Relatos

Telúrica: uma entrevista com RafaMon

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Trabalho da Artista Rafaela Monteiro na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema.

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Rafa ilustra diversas superfícies, é a arte de rua entrando pro cotidiano das pessoas.

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Rafaela não costuma dar nomes aos seus desenhos. ” Título pra quê? “

@RAFAMON, SEGUE AI!

Nessa coluna de estréia, falaremos de um assunto que está no ordem do dia das cidades depois do desastroso ( com propriedade da palavra ), ato do prefeito da cidade de São Paulo João Doria Júnior , em pintar de cinza os muros grafitados da Avenida 23 de maio da megalópole brasileira.

Pronto, ta dito: Grafite!

Considerado uma das mais genuínas formas de arte urbana, o grafiti é uma arte/política, iniciada no Brasil nos anos 1970 pelo artista Alex Vallauri como forma de protesto pela ditadura naquela época  ainda vigente por aqui. Vallauri levou dos muros para camisetas, “bottons” e adesivos, a expressão que ele considerava a mais próxima do ideário de arte para todos.

Do título de contravenção, o grafiti cresceu e tomou conta não só dos muros, mas dos museus e galerias de todo mundo. Esse grito da rua, não pede licença: chega chegando, mostrando a que veio, embelezando e reaproveitando os espaços públicos com uma linguagem intencional para interferir na cidade.

O grafiti é um importante instrumento de comunicação, que corrobora e abre espaço para novas conceitos de belo, criando novos personagens sociais que mudam sim a história da cidade. Por traz de cada desenho, pode acreditar, tem uma voz querendo ser ouvida.

Nós convidamos a artista visual mineira @RafaMon para dar “pitaco” nesse assunto. Rafa, que mora aqui no Rio de Janeiro e  já teve seu trabalho exposto em lugares como a Casa de cultura Lauro Alvim, em Ipanema,  conta com muito bom humor que já trabalhou com figurino, produção de moda e design gráfico.  Já foi de estilista a garçonete num bar na Bahia e, há cerca de 8 meses, iniciou esse trabalho autoral, basicamente de ilustração em diversas superfícies. Segundo a artista, aos 36 anos ela se encontrou.

PMDE: Rafa,  se apresente melhor para a gente: o que é arte pra você, o que ela provoca em você, como foi se descobrir artista?

RafaMon: Sempre desenhei desde criança, quando me perguntavam o que eu queria ser quando crescer, respondia: “sou artista”. Então posso dizer que arte pra mim sou eu.

PMDE: Como você se define ( ou não se define ): ilustradora, grafiteira, artista visual…?

RafaMon: Artista visual é o termo menos pior, acho. Os outros são mais limitantes.

PMDE: E essa decisão do João Doria em São Paulo de “calar” os grafitis da cidade?

Rafamon: Típica de alguém que não vive a cidade, que vai do condomínio fechado pro trabalho com ar condicionado e de lá pra algum restaurante onde tratam o sujeito como se fosse uma divindade. Berlim, que tem paredes muito mais antigas e carregadas de história e significado, é toda grafitada. O Dória é o típico pobre com dinheiro.

PMDE: Seu trabalho tem uma personalidade muito forte, com cores vibrantes e formas variadas, vimos intervenções suas em produtos de marcas importantes. Como anda o mercado de trabalho pros artistas*? Como você enxerga o mercado de “street art” no Rio? Pergunto sobre a valorização do trabalho, sobre a abertura dos espaços e galerias pros “grafiteiros”.

RafaMon: Está bom pra muita gente, grafiteiros de talento inclusive. Mas como todo produto que depende de uma avaliação subjetiva, que não pode ser precificado com precisão, o grafite está sujeito à distorções. Mas melhor que aconteça uma injustiça aqui e outra ali do que ter seu trabalho subestimado por preconceito ?

PMDE: Sobre essas parcerias com marcas famosas, acompanhamos até a ultima, que você ilustrou os produtos da marca. Arte e moda andam juntas, qual sua relação com a moda?

RafaMon: Sempre andaram juntas, quadros clássicos sempre foram usados como referência para estilistas, e roupas clássicas sempre inspiraram artistas em suas obras. Uma exposição de criações do Jean Paul Galtier tem tanto valor artístico quanto expos de muitos candidatos a artista.

PMDE: O Grafiti é um canal de comunicação conectando a cidade ao artista. Quando você ilustra um espaço, você sente que o desenho já não é mais de seu e sim parte do espaço, sem proprietário?

RafaMon: Claro, poucos exercitam tanto o desapego quanto os artistas de rua. Nossa arte está sujeita a erosão, a intervenção de outros artistas,  a ação de prefeitos idiotas.

PMDE: Essa farra das culturas, fusão do asfalto com a periferia (pop!), faz com que o interesse por arte seja maior onde ela as vezes nem chega ou o preconceito com grafiti ainda é muito grande aqui no Rio?

RafaMon: É grande, mas depois das reações favoráveis as ações do Dória estou quase achando que moro no paraíso do grafite.

PMDE: Nós sabemos que você é uma militante feminista, lugar de mulher é onde?

RafaMon: É onde ela quiser, principalmente na rua, chutando bundas.

PMDE: Sua posição política interfere no seu desenho?

RafaMon: Minha posição política É o meu desenho, um não existe sem o outro.

PMDE: Você tem um movimento artístico ou artista que você é fã de carteirinha? Por que?

RafaMon: Sou muito fã de street arte de guerrilha, Banksy, intervenções  urbanas radicais, com mensagem e coragem.

PMDE: Psicodelia pra você é…

RafaMon: Tudo que ela quiser ser, é a falta de regras em forma de arte.

A Rafaela Monteiro está em todas as redes sociais. Pra quem quiser acompanhar o trabalho dela, pagar uma cerveja gelada ( ela vai ficar feliz!! ) e jogar papo fora é só seguir @RafaMon, no facebook e no instagram. E sobre os produtos que Rafa ilustra? Lindos! Só acompanhar tudinho no @RafaMon que ela conta por onde estão.

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