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Redução de Danos

O tabaco e a redução de danos: primeiros passos

Algumas medidas mitigadoras dos impactos do cigarro e seus estigmas.

O tabaco e o tabu

Embora saibamos que o tabaco e as substâncias que nele existem são extremamente prejudiciais à saúde humana, principalmente se tratando da nicotina que é uma substância estimulante do SNC, é indispensável a discussão de redução de danos, pois, toda e qualquer pessoa tem a liberdade de usar as substâncias que quiser e o direito de saber quais são os efeitos no seu corpo e as medidas a serem tomadas para reduzir os impactos sobre sua própria saúde.

Tabagistas podem ser viciados quimicamente ou psicologicamente, ou simplesmente podem não querer deixar de fumar seu cigarro por motivos pessoais. Não cabe a mim nem a ninguém julgar qual substância poderia (ou não) ser tragada.

Outro ponto em que venho expressar minha opinião é a infeliz “seleção de assuntos” quando vamos debater redução de danos. O tabaco é a substância mais demonizada e desprezada de toda a roda de conversa, mas por quê? Porque é um símbolo capitalista! Mas devemos nos atentar a não ser tão hipócritas quanto os proibicionistas. O tabaco é uma droga legal de amplo uso (infelizmente) diante da população mundial, portanto, deveria ser uma das primeiras substância a serem fomentadas em uma roda de discussão sobre redução de danos. Não estou aqui incentivando o consumo, mas sim tentando assegurar mais qualidade de vida aos tabagistas.

 

Diminuição dos cigarros diários

Primeiramente: quantos cigarros você fuma por dia? Esse questionamento será o marco zero para as próximas atitudes a serem tomadas.

Muitos fumantes que não conseguem ou não querem parar de fumar recorrem a diminuição de cigarros diários. O que é formidável na teoria, mas na prática pode resultar na piora (ou indiferença) do quadro uma vez que, por suprimir os níveis de nicotina em seu organismo o indivíduo busque tragadas mais profundas quando fuma.

Esta estratégia pode surtir efeito para usuários iniciantes e não-dependentes psicológicos de nicotina. Reduza semanalmente o número de cigarros diários. Não há um número seguro de cigarros, quanto mais você conseguir reduzir, melhor!

Para usuários dependentes a redução espontânea acarretará provavelmente em uma crise de abstinência que pode resultar em outro vício, como o álcool. A maneira de se reduzir é desenvolvendo em paralelo à uma terapia de reposição de nicotina. Este tipo de terapia pode reduzir o nível de toxinas inaladas (uma vez que o usuário diminui a quantidade de cigarros), mas ainda não há fortes indícios de benefícios para saúde pois você ainda estará suplementando seu organismo com nicotina.

 

Trocando o tipo de cigarro

Existem diversos tipos de cigarros e muitos fumantes preocupados com a saúde tendem a trocar o cigarro por outros de “baixos teores”, comprando a ideia de que estes seriam menos prejudiciais (pratica encorajada pela indústria do tabaco).

Acontece que, para medir o nível de alcatrão as indústrias utilizam-se de máquinas que fumam o cigarro artificialmente. Para a produção de cigarros com teores mais baixos, desenvolveram-se filtros com furos externos especializados em “diluir” a fumaça do cigarro com ar, deixando passar assim menos alcatrão, monóxido de carbono e também nicotina. 

Desta forma, cigarros de baixos teores podem resultar na mesma armadilha da diminuição de cigarros diários. Os usuários, inconscientemente, tendem a tragar mais profundamente o cigarro ou mesmo alterar seu hábito, fumando mais cigarros que de costume para suprir o déficit de nicotina em seu organismo. Isto resulta em pouca (ou nenhuma) redução de danos.

 

Tabaco não fumígeno

Existem duas formas de se utilizar o tabaco não fumígeno: aspirando ou mascando. Na Suécia o tabaco oral úmido (conhecido como “snus”) vem sendo utilizado por homens por várias décadas. Os riscos para saúde relacionados ao uso deste produto parecem ser extremamente pequenos, quando comparados aos do cigarro. Estima-se que sejam amplamente usados por fumantes como uma alternativa aos cigarros, contribuindo para a baixa prevalência total de fumantes e doenças relacionadas ao tabagismo na Suécia.

Deste modo, os Snus e outros produtos orais do tabaco não fumígeno, atualmente desenvolvidos por algumas companhias, poderiam proporcionar uma alternativa viável ao tabagismo para muitos fumantes, proporcionando ganhos substanciais para a saúde.

 

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