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Psicoativos

Redução de danos em festas

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Tem-se falado bastante de RD (redução de danos) nos círculos sociais de usuários e não-moralistas, mas o que é Redução de Danos?

Redução de danos é um conjunto de ações visando o empoderamento do conhecimento à pessoas que não podem ou não querem largar o consumo de drogas. Ainda mais do que isso, RD é um importante difusor social no âmbito da desconstrução dos preconceitos moldados há décadas pela sociedade. Os agentes redutores tem o alcance de dialogar e informar o sujeito interessado em entender a substância que consome, os efeitos no seu corpo e como minimizar algum dano a sua saúde.

Para entender mais conversamos com Gabriel Pedroza, do coletivo ResPire que realiza um trabalho de Redução de Danos na cidade de São Paulo com intervenções em ambientes festivos:

PMDE: Em ambientes festivos, qual a importância de se discutir redução de danos e políticas públicas?

Gabriel: É extremamente importante a gente conversar sobre estratégias de redução de danos dentro de ambientes festivos, onde muitas das vezes as pessoas já estão munidas e fazendo o consumo de drogas, já havendo uma certa intenção de uso. Não adianta simplesmente falar para que estas pessoas não usem, isso seria uma abordagem terrorista e moralista.
As pessoas que estão nessas festas precisam entender o risco que elas correm ao consumir qualquer substância psicoativa e também o que são essas substâncias, para refletir sobre o próprio consumo.

PMDE: Quais experiências vocês do coletivo ResPire tiveram com essas intervenções em ambientes festivos?

Gabriel: Somos sempre muito bem recebidos nas festas. A gente vai pra trocar ideias sobre drogas e a galera normalmente sente falta disso, alguém que esteja ali pra ouvir, conversar e partilhar conhecimentos sobre o uso de substâncias.
Como trabalhamos com um discurso não moralista, pragmático, o público em geral aceita bastante quando falamos sobre o uso, a legislação, efeitos no corpo, composição química – contamos com uma equipe multidisciplinar pra isso.

PMDE: Qual o preconceito exercido sobre o usuário de drogas?

Gabriel: O usuário de drogas ilícitas é muito mal visto, vítima de um estigma muito grande. Quando você demoniza o uso de uma droga, você não está demonizando a droga e sim o sujeito que faz o uso dessa substância. Então quando colocamos a droga como algo “mal”, também colocamos o usuário como uma pessoa má.
Com bebida alcoólica a gente vê um contraste, a sociedade de uma forma geral tende a sentir menos raiva e mais pena do usuário. Este tem uma possibilidade de se abrir mais, ter um contato maior e sofrer menos preconceito (apesar de ainda sofrer).
Esse preconceito é um dos maiores danos da guerra às drogas, é um estigma sobre o usuário e como consequência afasta o sujeito de serviços de saúde e cuidados.

 

Quando você demoniza o uso de uma droga, você não está demonizando a droga e sim o sujeito que faz o uso dessa substância

A PMDE juntamente com o coletivo Respire realizou, no dia 30 de Abril, uma roda de conversa aberta sobre políticas públicas e legalização das drogas na Avenida Paulista! O evento contou também com um sarau colaborativo, free de rimas e intervenções. Para acessar o álbum de fotos do evento clique aqui.

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