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O jogador que atuou em uma partida sob efeito de LSD

nano - O jogador que atuou em uma partida sob efeito de LSD

“No dia seguinte, sem perspectiva de tempo, ingeriu outra dose do ácido ao meio-dia.[…]”

12 de junho de 1970: um marco para a história do beisebol. Dock Ellis e seu time – os Pirates – vão a San Diego disputar uma partida contra os Padres. O fato é que ninguém sabia o que estaria por vir. Em tempos de contracultura, era comum o uso de anfetaminas e outras substâncias para melhorar o desempenho durante o jogo. Ellis jogou a partida sob efeito de LSD e fez história: de todos os seus arremessos, nenhum foi passível de rebatida. Este feito é conhecido como no-hitter e ocorreu apenas 294 vezes na MLB (Major League Baseball) desde 1876.

Ao chegar a San Diego, Dock Ellis diz ao time que vai a Los Angeles visitar um amigo. Segundo o jogador, o ácido foi ingerido ainda no avião. Ao chegar à cidade, foi a festas, passou a noite bebendo e consumindo outras drogas. No dia seguinte, sem perspectiva de tempo, ingeriu outra dose do ácido ao meio-dia. Mal sabia ele que, naquela mesma data, enfrentaria os Padres; em San Diego. Descobriu através de um membro da equipe, que ligou alertando-o da partida. Pegou o avião após uma hora e chegou cerca de 90 minutos antes do início do jogo.

Dock afirmou que, durante a partida, imaginou estar arremessando para Jimi Hendrix, sendo Richard Nixon o árbitro. Complementou, inclusive, que o caminho percorrido pela bola era como “a cauda de um cometa”, dentro da qual, segundo ele, chegou até a mergulhar. No entanto, não se lembra da partida inteira, apenas de alguns flashes.
O jogador, todavia, revelou a história apenas 14 anos após o ocorrido. Por isto, é impossível confirmar sua veracidade. A MLB nunca divulgou as imagens do jogo por inteiro – apenas em partes, que podem ser vistas em No-No: a Dockumentary, disponível na Netflix.

Verídica ou não, é uma grande história para uma grande carreira. Ellis foi um forte militante contra o racismo nos EUA e disse, inclusive, que nunca seria titular pelo fato de que a MLB nunca deixaria dois arremessadores negros começarem um jogo. Foi, também, um ícone da contracultura estadunidense.

Entre tantas benfeitorias, também tinha seus defeitos. Tinha problemas com relação ao abuso de drogas, sobretudo o álcool. Chegou a dizer em entrevista que nunca jogou uma partida sequer sem estar sob efeito de alguma substância química. Ao se aposentar, Dock foi um grande crítico do racismo no esporte e ativista contra o fim do abuso de drogas. Tratava adolescentes e prisioneiros, ajudando-os a se livrarem do vício.
Dock Ellis morreu em dezembro de 2008, aos 63 anos, em decorrência de problemas hepáticos: a cirrose.

 

Artigo por: André Hunnicutt Moraes

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