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MDMA: guia rápido de utilização segura

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Na minha primeira matéria para o PMDE, eu escrevi sobre o último estudo feito pela Global Drug Survey (GDS) em 2017 e, particularmente, sobre cogumelos. O relatório criado pela empresa de pesquisa independente abordou diversos outros tópicos também, um deles sobre MDMA (substância ativa do ecstasy cuja sigla significa metilenodioximetanfetamina) e sobre as maneiras mais seguras de utilização, tópico que abordo no texto de hoje. O artigo não busca incentivar ou abominar a utilização de MDMA, apenas reproduz os resultados mais recentes acerca da utilização de drogas.

O GDS2017 fez uma análise mais aprofundada sobre a forma como as pessoas usam pílulas de MDMA e em pó em todo o mundo. A maneira como é utilizada é, frequentemente, negligenciada pelos usuários em comparação com a dose e a pureza, mas influencia diretamente na experiência. Dos cerca de 25 mil usuários que participaram do estudo, 1,2% procuraram tratamento médico de emergência nos 12 meses anteriores. Mais da metade destes usaram comprimidos (55%), 30% usaram pó e 15% ambos. As mulheres tendiam a procurar tratamento 2-3 vezes mais frequentemente que os homens. Apenas um em cada 5 tomou uma dose de teste no dia do experimento, mais de metade já estava bêbado antes de tomar sua primeira dose de MDMA, 40% tomaram mais do que o habitual e mais de 40% relataram estar mal, tanto física quanto psicologicamente, antes de começarem a usar no dia. Apenas 7% relataram não usar qualquer outro medicamento ou álcool. O número, 1,2%, é baixo e aponta que MDMA não é uma droga perigosa, apesar ter pedir certas precauções.

A pesquisa aponta que a administração da droga em pó nem sempre é eficaz. MDMA precisaria ser potente o suficiente para que a pessoa não inalasse uma quantidade enorme para obter algum efeito. O pó precisa ser fino o e solúvel em água para ser absorvido no muco que reveste o nariz e depois nos vasos sanguíneos nasais. Inalar geralmente resulta em um início de ação mais rápido do que o uso oral porque a membrana nasal é muito porosa e absorve diretamente pelos vasos. Por outro lado, contrapondo o rápido resultado, a duração do efeito tende a ser mais curta do que quando tomado por via oral, o que significa que as pessoas precisam administrar a droga com mais frequência. O muco tende a prender o pó, diminuindo a absorção no nariz.

Abaixo, o gráfico em inglês mostra as formas mais comuns de utilizar MDMA no mundo.

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Inalar é a quarta maneira mais utilizada para usar MDMA.

Não há um vínculo claro entre a via de uso e o risco de tomar além do recomendável, uma vez que dependerá de outras variáveis, como a pureza da MDMA, a dosagem e o tempo entre as doses, porém, MDMA administrado em pó não é muito bom: aumenta o risco de adquirir dependência da substância e pode danificar o revestimento do nariz, deixando a pessoa com sangramentos nasais e fungando sem parar. Uma superdosagem também aumenta o risco de experimentar palpitações, ansiedade e transpiração.

Quem utiliza assim, pode cuidar do seu nariz lavando com água morna e salgada, além de não compartilhar o material – notas ou canudos – para evitar o risco de contaminação com, por exemplo, hepatite C, que pode ser transmitida caso o nariz tenha sangramento.

E a outra forma de usar? MDMA engolido, em pílula ou em pó, varia drasticamente na taxa de absorção. Por exemplo, é provável que um comprimido mais denso libere a droga muito mais lentamente do que um menor, pó ou cristal. Dissolver em uma bebida pode aumentar ainda mais a velocidade de absorção, por exemplo. Essa informação é importante na hora de pensar em tomar mais uma dose e exagerar. Então, há realmente uma grande diferença entre engolir um comprimido, inalá-lo ou dissolvê-lo em água, ou mesmo esfregando na gengiva, tudo isso afeta a experiência. É bom salientar que álcool pode aumentar o risco de efeitos adversos, então é melhor não dissolver em bebidas alcóolicas.

Qual a mensagem pra se levar desta pesquisa? Como você usa MDMA importa. É importante, apesar de difícil, saber a composição e pureza da MDMA que se tem em mãos. Para a maioria das pessoas que não têm acesso a essas informações, é aconselhável testar a dosagem (entre 70 e 120 mg) e aguardar, pelo menos, duas horas para repetição. Na pesquisa, o tempo entre a primeira e a segunda dose foi, em média, 75 minutos – não o suficiente para a maioria das pessoas chegarem ao pico e evitar problemas de superdosagem. Algumas pessoas podem sugerir mais ou menos para as doses seguintes, mas, como mencionado, depende de como será usada e o quanto a pessoa está acostumada. Se a pessoa nunca utilizou, a pesquisa aponta para não passar de 70 mg.

MDMA na medicina

Abrindo parênteses para as notícias mais atualizadas: cientistas do Imperial College London acreditam que doses controladas de MDMA podem ajudar os pacientes a lidar com o estresse e o trauma do vício em álcool e deram início a um experimento com 20 pessoas. O Dr. Ben Sessa, uma das pessoas que está liderando o estudo, escreveu em seu site: “Esqueça o que você conhece sobre o uso popular deste composto no contexto do ecstasy de drogas recreativas. MDMA é uma droga médica que iniciou sua vida no cenário clínico” e “[…] este medicamento, quando combinado em um ambiente clínico supervisionado com psicoterapeutas experientes, é a ferramenta perfeita para melhorar a psicoterapia com foco em trauma”.

De acordo com as leis atuais, MDMA não pode ser prescrito como um tratamento médico em nenhum lugar do mundo e enquanto os resultados deste último experimento não ficam prontos, ficamos com os relatórios da GDS, sempre lembrando: use com moderação.

Abaixo, deixo o link de uma série de vídeos sobre como usar com segurança drogas, em inglês, com medidas de segurança bem menos comedidas que as da pesquisas, mas válidas:

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