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Ativismo e Política

LGBT não é doença; homofobia, sim!

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O movimento LGBT está intimamente ligado à psicodelia, já que ambos sempre andaram no lado esquerdo na trama da periferia social. Nesta semana, Waldemar Cláudio de Carvalho, juiz do Distrito Federal, retrocedeu cerca de vinte anos ao conceder uma liminar a psicólogos que acreditam poder reverter e tratar a homossexualidade como doença, seja o indivíduo masculino ou feminino. Tal ato fere a decisão que discorre desde 1990, quando a opção sexual deixou de ser tratada como algo doentio e passou a ser vista de forma natural, como deve ser. Não obstante, em 1999, o Conselho Nacional de Psicologia, proibiu quaisquer tratamentos do tipo, já que só iriam a encontro do mal-estar psicológico.

Embora não exista nenhuma pesquisa científica que comprove ser possível a reversão, e que a própria psicologia proíba tratar-se como doença um ato restritamente comportamental, o juiz de direito entrou na área psíquica e ainda marcou o gol com a mão: disse ao CNP (Conselho Nacional de Psicologia) para que não impeçam psicólogos de realizarem estudos e até mesmo tratamentos acerca do assunto, tratando, ignorantemente, tal feito como censura.

130201 BS Gay Pride Square3 - LGBT não é doença; homofobia, sim!

Créditos imagem: Unison

A decisão que desde 1999 protege e garante direitos aos LGBT, perde espaço e abre brechas a novos preconceitos. A quem o homossexual, filho de pais rígidos e conservadores, recorrerá ao assumir-se gay? Teria ele a opção de não aceitar o tratamento, mesmo sendo contra a sua vontade? A propósito, a liminar ainda abre espaço ao mal-estar psicológico, posto que a decisão seja estritamente voltada à crença religiosa e que vai de encontro à ciência, que já provou ser impossível a dita “cura gay”, dando brechas à depressão e até mesmo ao suicídio pela não aceitação do ser.

Não demandou muito tempo para que fundamentalistas viessem à tona para defender Waldemar. Nas redes sociais, vê-se sendo dito que, se o indivíduo realmente queira mudar seu posicionamento acerca de sua sexualidade, tem todo o direito. A psicologia, por sua vez, não exclui tal possibilidade. No entanto, já adiantam que a inconformidade com o comportamento homossexual é completamente proveniente de algum desentendimento familiar ou social, fadando-se ao lado periférico, tanto social quanto psicológico, o que acarreta diversos problemas já citados.

De antemão, ressalta-se o fato de que a autora da proposta, a psicóloga Rozangela Alves Justino, usufrui de um cargo especial no gabinete do deputado Sóstenes Cavalcante, ligado à bancada evangélica e filiado ao DEM-RJ, com relação direta ao pastor Silas Malafaia, conhecido pelas ideias distorcidas e uso indevido da fé cristã.

david bowie album sales - LGBT não é doença; homofobia, sim!

David Bowie – créditos imagem: variety

Ao que se diz respeito à psicodelia, que tanto abre espaço à turma LGBT, componentes de boa parte do movimento psicodélico, tais pessoas não devem se calar – coisa que nunca foi feito e nem será. Brilhantes artistas, como Elton John, Freddie Mercury e Ney Matogrosso já explicam o porquê disso apenas com poesia. Outros grandes nomes da música e adeptos à alternatividade são Cazuza, Cássia Eller, Maria Gadú e, dono de um faroeste voltado aos caboclos, Renato Russo. Não se pode – nem deve – esquecer-se dos grandes visionários e assumidamente homossexuais (ou bissexuais), tais como David Bowie, Andy Warhol. Os ícones artísticos que ultrapassam os limites preestabelecidos são de intensa personalidade e demasiadamente valorizados por isso. Qualquer brecha fascista que conteste a opção sexual deve ser boicotada com todas as forças possíveis. É a famosa frase, dita em tempos difíceis: o inimigo do meu inimigo é meu amigo!

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