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Xamanismo

Kambô: a milagrosa medicina anfíbia

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Créditos imagem: BBC

Uma medicina pouco conhecida e proveniente de um meio nada esperado. O kambô – ou vacina do sapo – é uma antiga tradição indígena e tem longa data dentre o xamanismo. Obtido através da perereca kambô (Phyllomedusa bicolor), o medicamento, segundo uma praticante do xamanismo em entrevista exclusiva ao Portal Psicodelizando, trabalha, sobretudo, com energias masculinas, como direcionamento, ação e foco. A substância, todavia, tem sua comercialização proibida por lei e já ocasionou inúmeras controvérsias.

A entrevistada, que não quis ser identificada, relatou medo antes de tomar e disse que superá-lo é uma briga contra o ego. Disse, inclusive, que após a experiência, já sentiu a mudança na primeira semana. De acordo com ela, a disposição é forte e, fisicamente, até a pele descasca.

Para obter a substância, há de se raspar levemente a superfície da perereca e o produto final é um elemento pastoso, que é colocado numa palheta de madeira. Para se tomar a vacina, com um cipó queimado, são feitos alguns pontos, leves ferimentos em determinadas partes do corpo e, em seguida, o kambô é aplicado, momento em que se relatam fortes queimações. Segundo praticantes do xamanismo, o kambô fortalece muito o corpo, desde limpar o sangue até curar várias doenças, como a diabetes. No entanto, cientistas afirmam ser uma substância perigosa e que pode levar até a morte. Para a ciência, o alívio pós-vacina é apenas “uma sensação de desintoxicação” que o corpo mesmo produz. “No começo, o corpo formiga muito. Após o formigamento, meu pescoço ficou inchado. Literalmente como o de um sapo”, relata a entrevistada, que não vê mal algum e pretende, até mesmo, consagrar novamente.

Entre umas e outras, a pequena perereca e sua milagrosa vacina já causaram algumas brigas judiciais. Em um local a oeste da Amazônia, por exemplo, o governo se preocupa em não deixar com que se transpasse o conhecimento xamânico da tribo marubo, que utiliza o kambô. A própria Funai já recebeu inúmeras denúncias com relação à vacina e que haviam até estrangeiros buscando por ela em várias partes do estado. No entanto, sua fiscalização é difícil, visto que é uma substância oriunda de uma perereca, anfíbio muito encontrado em certas localidades do país.

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