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Ativismo e Política

Discutindo a guerra às drogas no Brasil

Untitled 1 - Discutindo a guerra às drogas no Brasil

Coletivo Movimentos propõe debate e desmistificação sobre drogas legais e ilegais no país.

O que de fato gera a guerra às drogas

No cenário atual, o Brasil ainda está muito atrás quanto ao conhecimento do que, de fato, são as drogas ilegais no país. Ao mesmo tempo em que diversos países europeus ampliam sua política de legalização, além do irmão sul americano Uruguai abrir as portas para o consumo de maconha e de até a Netflix criar uma série sobre o consumo da erva, no Brasil a guerra segue intacta. Os comunicadores, grupos e sites brasileiros focados em desmistificar as drogas ou conscientizar quanto à redução de danos ainda busca por uma representação relevante quanto ao número de brasileiros atingidos. Ainda são poucas pessoas que entendem sobre a interação de drogas nas sociedades – o que remonta a milhares de anos A.C. – os efeitos de cada uma e por que existe interesse na utilização.

No meio das últimas notícias do Rio de Janeiro, um grupo de 15 pessoas nascidos nas favelas brasileiras nas décadas de 90 e 2000 criou uma cartilha sobre conscientização das drogas e da guerra que vem acontecendo há mais de 20 anos, o coletivo Movimentos: Drogas, juventude e favela. Eles pretendem colocar os moradores da favela no centro do debate sobre as drogas, tendo como base o manifesto: “Não declaramos esta guerra, mas morremos por conta dela”.

O grupo apresentou em São Paulo em setembro seu projeto e sua cartilha sobre política de drogas em um encontro com o neurocientista norte-americano Carl Hart, em que eles desenvolvem, de maneira clara e simples, diversos aspectos referentes à existência das drogas e sua utilização em diferentes lugares do mundo, bem como o desenvolvimento de políticas proibitivas.

Carl Hart é presidente do departamento de psicologia da Universidade Columbia, é o autor de “Preço alto: a jornada de autodescoberta de um neurocientista que desafia tudo o que você conhece sobre drogas e sociedade” e estuda drogas há 22 anos. Ele defende que elas não são o “bicho papão” que ensinam e afirma que a ciência deveria guiar a política de drogas, mesmo que isso deixe a população desconfortável. Seus últimos trabalhos vêm desmistificando as drogas e sua utilização, mostrando que algumas podem ser muito positivas para as pessoas.

Políticas destinadas a proibir ou reprimir as drogas apresentam um paradoxo, na visão de Hart. Elas são defendidas como necessárias para preservar a saúde e a segurança públicas, e, no entanto, evidências sugerem que elas contribuíram direta e indiretamente para a violência, transmissão de doenças, discriminação, exclusão, dor física desnecessária e a minar o direito das pessoas à saúde. Os padrões internacionais de direitos humanos determinam que as sociedades devem escolher a maneira menos prejudicial de enfrentar a questão de drogas e que as medidas de emergência devem ser proporcionadas e projetadas especificamente para atingir metas definidas de forma transparente e realistas.

Porém, a busca pela proibição de drogas não atende a esses critérios. Na cartilha de Políticas sobre Drogas do Brasil, por exemplo, algumas afirmativas são, visivelmente, não executadas na sociedade, como:

Tratar de forma igualitária, sem discriminação, as pessoas usuárias ou dependentes de drogas lícitas ou ilícitas;

Para Hart, abordagens sistemáticas de saúde pública e a ciência devem fazer parte da formulação de políticas sobre drogas, mas são rejeitadas na busca pela proibição. Os países não conseguiram reconhecer e corrigir os danos de saúde e direitos humanos que a proibição e a supressão de drogas causaram e, ao fazê-lo, negligenciam suas responsabilidades legais. Eles encarceram facilmente as pessoas, mas depois negligenciam seu dever de fornecer serviços de saúde. Eles reconhecem os mercados ilegais descontrolados como consequência de suas políticas, mas fazem pouco para proteger as pessoas de drogas tóxicas e adulteradas que são inevitáveis ​​em mercados ilegais ou a violência de crimes organizados, o que muitas vezes é piorado pelo policiamento.

O coletivo Movimentos pretende usar o material criado em debates em comunidades, palestras, escolas e oficinas para gerar o debate e influenciar a redução de danos. O grupo já ganhou visibilidade inclusive na televisão, o que é muito positivo para que a discussão ganhe força no Brasil. De acordo com Pamela, a estudante de Pedagogia que mora no Jacarezinho e uma das integrantes do coletivo: “Não queremos ser porta-vozes das favelas. Mas nos preocupamos que os moradores se empoderem, conheçam o debate sobre política de drogas e queiram buscar soluções. Temos o cuidado de levar a discussão de forma menos pesada, mais popular, com a nossa forma de falar, para que as pessoas entendam e comecem a trabalhar isso dentro de suas casas” (fonte: El País).

No site do PMDE, na seção de Redução de Danos, também é possível informar-se sobre as drogas sem preconceitos. Abaixo, você confere uma entrevista de Carl Hart sobre drogas não serem os vilões:

 

 

 

 

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